CONSTRUÇÃO DE CONSENSO: CONCEITO, PRESSUPOSTOS, ETAPAS E O ESTUDO DE CASO DA CRIAÇÃO DO PARQUE DO COCÓ EM FORTALEZA (BRASIL)
DOI:
https://doi.org/10.12818/P.0304-2340.2026v88p15Resumo
O presente trabalho analisa a Construção de Consenso como método de solução de conflitos complexos, com o objetivo de explicitar seus fundamentos conceituais, suas etapas processuais e sua aplicação em contexto institucional concreto. Para tanto, adota abordagem qualitativa, combinando revisão bibliográfica sobre Construção de Consenso e análise de caso do processo que culminou na criação definitiva do Parque do Cocó, em Fortaleza, a partir da atuação do Fórum Permanente para a Implantação Definitiva do Parque do Cocó. Inicialmente, o texto delimita a construção de consensos como procedimento específico de gestão conflitual colaborativa, distinto de rótulos genéricos de autocomposição, e sistematiza seus pressupostos, premissas e critérios de adequação a conflitos complexos. Em seguida, reconstrói suas etapas processuais (pré-negocial, negocial e pós-negocial). Na análise empírica, demonstra que o caso do Cocó constitui experiência bem-sucedida de Construção de Consenso, pois reuniu atores plurais em arena deliberativa estruturada, produziu proposta consensual formalmente documentada e criou condições para transformar um conflito socioambiental complexo, antes marcado pela baixa efetividade da judicialização, em solução legitimada e implementável. Conclui-se que a Construção de Consenso contribui de maneira relevante para o tratamento de conflitos públicos complexos, ao favorecer coordenação interinstitucional, participação qualificada e produção de acordos duráveis, e que sua institucionalização deve ser aprofundada como padrão de atuação no sistema de justiça e na gestão de políticas públicas.
PALAVRAS-CHAVE: História do direito. Legislação criminal de exceção. Duplo nível de legalidade. Povos indígenas. Relatório Figueiredo.
